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Artigo | Transtorno de Personalidade Borderline

“Pessoa favorita” no Transtorno de Personalidade Borderline: o que a ciência realmente permite afirmar

Uma revisão narrativa sobre o que as evidências permitem — e o que ainda não permitem — afirmar sobre relações de intensa centralidade emocional no TPB

Jandré Lopes • Psicólogo • CRP 06/215909

Psicologia baseada em evidênciasLeitura aproximada: 15 minutos

Artigo de divulgação científica baseado em evidências.

Representação simbólica de uma relação emocionalmente central associada à expressão pessoa favorita no transtorno de personalidade borderline.

Resumo

A expressão “pessoa favorita” é utilizada principalmente em comunidades virtuais para descrever uma relação na qual determinada pessoa assume grande centralidade emocional na vida de alguém com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Embora possa representar uma experiência subjetiva legítima, o termo não integra os critérios diagnósticos do DSM-5-TR ou da CID-11 e não constitui diagnóstico, sintoma obrigatório, subtipo ou síndrome independente. A investigação científica específica sobre o fenômeno ainda é inicial. Este artigo apresenta uma revisão narrativa das evidências disponíveis e examina processos que podem contribuir para essa dinâmica, como medo de abandono, hipersensibilidade interpessoal, sensibilidade à rejeição, desregulação emocional, alterações no funcionamento da identidade e padrões inseguros de apego. Também discute limitações da literatura, riscos de romantização e estigmatização e possibilidades de intervenção clínica. Conclui-se que “pessoa favorita” deve ser compreendida como uma descrição informal e heterogênea de determinadas experiências relacionais, cuja compreensão exige avaliação individualizada.

Palavras-chave: transtorno de personalidade borderline; pessoa favorita; apego; sensibilidade à rejeição; medo de abandono; regulação emocional; relações interpessoais; DBT.

Introdução

Para algumas pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline, uma relação específica pode assumir intensidade emocional extraordinária. O humor, a autoestima, a sensação de segurança e até a percepção de identidade podem parecer profundamente dependentes da presença, da disponibilidade ou das respostas de alguém.

Nas comunidades virtuais, essa figura passou a ser chamada de “pessoa favorita”. Ela pode ser um parceiro amoroso, amigo, familiar, professor, terapeuta ou qualquer pessoa percebida como particularmente importante.

O termo pode ajudar alguém a nomear uma experiência difícil. Entretanto, sua popularidade nas redes sociais produziu simplificações: a ideia de que toda pessoa com TPB teria obrigatoriamente uma “pessoa favorita”; de que essa relação seria exclusiva do transtorno; ou de que sua presença poderia confirmar um diagnóstico.

Nenhuma dessas conclusões é sustentada pelas classificações diagnósticas atuais.

“Pessoa favorita” não aparece no DSM-5-TR, na CID-11 ou nas diretrizes clínicas como critério diagnóstico. A presença dessa dinâmica não comprova TPB, e sua ausência não exclui o transtorno. Pessoas sem TPB também podem apresentar dependência emocional, medo intenso de perder alguém ou vínculos assimétricos.

A pergunta científica relevante não é simplesmente “quem é a pessoa favorita?”, mas quais processos emocionais, cognitivos e interpessoais estão ocorrendo naquela relação e qual impacto produzem sobre o funcionamento das pessoas envolvidas.

Natureza e limites das evidências

Este é um artigo de revisão narrativa, elaborado a partir de estudos sobre funcionamento interpessoal, apego, sensibilidade à rejeição, desregulação emocional e tratamento do TPB, além da ainda limitada produção científica dedicada diretamente à expressão “pessoa favorita”.

A maior parte do conhecimento sobre TPB não foi construída para investigar especificamente esse fenômeno. Portanto, mecanismos como apego inseguro, medo de abandono e dificuldade de regulação emocional devem ser compreendidos como explicações clinicamente plausíveis e sustentadas pela literatura geral do transtorno — não como causas específicas definitivamente comprovadas da formação de uma “pessoa favorita”.

Até o momento, um dos principais trabalhos diretamente dedicados ao tema foi publicado por Jeong, Jin e Hyun em 2022. Os pesquisadores analisaram 207 publicações e comentários disponíveis em blogs e redes sociais, escritos majoritariamente por pessoas que se identificavam como diagnosticadas com TPB.

O estudo encontrou relatos de intensa dependência emocional, busca de validação, idealização, medo de abandono, alterações do humor em resposta à disponibilidade do outro e ciclos de aproximação e afastamento. Amigos apareceram frequentemente como “pessoas favoritas”, demonstrando que a relação não precisa ser romântica ou sexual.

Entretanto, esse estudo possui limitações importantes:

  • utilizou relatos públicos selecionados na internet;
  • não realizou avaliação clínica independente dos participantes;
  • não permite confirmar todos os diagnósticos mencionados;
  • concentrou-se em experiências problemáticas;
  • não avaliou a prevalência do fenômeno;
  • não permite estabelecer causalidade;
  • não representa necessariamente todas as pessoas com TPB.

Por isso, o estudo oferece uma descrição exploratória, mas não transforma “pessoa favorita” em categoria diagnóstica validada. Seus resultados também não autorizam concluir que essas relações sejam sempre destrutivas.

O que significa “pessoa favorita”?

Na literatura emergente e nos relatos comunitários, “pessoa favorita” costuma designar alguém de quem a pessoa passa a depender intensamente para receber validação, segurança, atenção e organização emocional.

A aproximação pode produzir alívio, pertencimento e estabilidade. Em contrapartida, uma demora na resposta, mudança no tom de voz, cancelamento de compromisso ou necessidade de afastamento pode ser interpretada como sinal de rejeição.

A outra pessoa pode assumir funções psicológicas muito amplas:

  • confirmar que a pessoa é amada;
  • reduzir emoções intensas;
  • organizar a percepção de valor pessoal;
  • oferecer segurança diante do medo de abandono;
  • ajudar a definir identidade, escolhas e expectativas;
  • funcionar como principal fonte de apoio em momentos de crise.

Precisar de apoio não é patológico. A regulação compartilhada faz parte das relações humanas. A dificuldade surge quando quase toda a estabilidade emocional depende de uma única pessoa, reduzindo a autonomia e tornando qualquer distância uma ameaça à própria organização emocional.

Hipersensibilidade interpessoal

O TPB está associado a prejuízos importantes no funcionamento interpessoal. Uma revisão sistemática realizada por Lazarus e colaboradores identificou dificuldades relacionadas à confiança, cooperação, percepção social e manutenção de relações estáveis.

Algumas pessoas com TPB podem reagir intensamente a sinais reais ou percebidos de afastamento, crítica ou rejeição. Alterações pequenas e ambíguas no comportamento de alguém podem receber significado emocional muito maior quando envolvem uma relação particularmente importante.

Isso não significa que a pessoa esteja conscientemente inventando ou exagerando o que sente. A experiência emocional pode ser absolutamente real, mesmo quando a interpretação inicial não corresponde integralmente à intenção do outro.

Também é necessário considerar que nem todo medo de rejeição é uma distorção. Pessoas com TPB podem estar inseridas em relações genuinamente instáveis, abusivas ou imprevisíveis. A avaliação clínica deve diferenciar ameaças concretas de conclusões influenciadas pela intensa ativação emocional.

Medo de abandono

Os esforços intensos para evitar abandono real ou imaginado constituem uma característica reconhecida do padrão borderline. Quando alguém se torna a principal referência de segurança, a possibilidade de separação pode desencadear ansiedade, raiva, desespero, vergonha ou impulsividade.

Uma mensagem visualizada e não respondida pode ser interpretada como perda de interesse. Um compromisso cancelado pode parecer indício de rompimento. Um limite legítimo pode ser vivido como prova de desamor.

A expressão “abandono imaginado” não significa que o sofrimento seja falso. Refere-se à possibilidade de que uma situação ambígua seja interpretada como ruptura definitiva antes que existam evidências suficientes.

A resposta comportamental pode incluir busca repetida por contato, pedidos intensos de confirmação, testes de lealdade, afastamento preventivo ou hostilidade. Em situações mais graves, podem ocorrer comportamentos autolesivos, ameaças ou outras ações impulsivas.

Compreender a função emocional de um comportamento não significa justificá-lo nem ignorar seus efeitos. Significa reconhecer que ele pode ter surgido como tentativa desadaptativa de recuperar segurança ou interromper sofrimento intenso.

Sensibilidade à rejeição

Sensibilidade à rejeição é a tendência a esperar ansiosamente, identificar rapidamente e reagir intensamente à possibilidade de rejeição. Estudos demonstram associação entre esse processo e a gravidade de sintomas borderline.

Bungert e colaboradores encontraram sensibilidade elevada à rejeição tanto em pacientes com sintomas agudos quanto em pacientes em remissão. Isso sugere que a vulnerabilidade interpessoal pode persistir mesmo quando outros sintomas diminuem.

Em uma relação emocionalmente central, pode ocorrer o seguinte ciclo:

  1. Surge um sinal real ou ambíguo de distância.
  2. O sinal é interpretado como rejeição ou abandono.
  3. A intensidade emocional aumenta rapidamente.
  4. Aparece urgência para recuperar proximidade e confirmação.
  5. Comportamentos impulsivos ou insistentes produzem conflito.
  6. A outra pessoa estabelece distância para se proteger.
  7. A distância parece confirmar o medo inicial.
  8. Podem surgir vergonha, culpa, raiva ou desespero.

Esse modelo não explica todos os casos, mas ajuda a compreender como expectativas de rejeição podem contribuir para produzir justamente o afastamento temido.

Desregulação emocional e regulação pelo outro

O modelo biossocial desenvolvido por Linehan e posteriormente ampliado por Crowell, Beauchaine e Linehan descreve a interação entre vulnerabilidade emocional e ambientes invalidantes.

A vulnerabilidade pode envolver:

  • elevada sensibilidade a estímulos emocionais;
  • respostas emocionais intensas;
  • retorno mais lento ao estado emocional basal.

Ambientes invalidantes podem ensinar a pessoa a desconfiar das próprias experiências, dificultar a identificação das emoções e prejudicar o desenvolvimento de estratégias adaptativas de regulação.

Nesse contexto, outra pessoa pode funcionar como importante regulador externo. Uma mensagem, ligação ou demonstração de carinho pode reduzir rapidamente o sofrimento. Esse alívio pode reforçar a busca por novos sinais de proximidade sempre que a angústia retorna.

A hipótese de regulação interpessoal ajuda a compreender por que o humor pode parecer depender da atenção de alguém. Entretanto, ela não foi comprovada como explicação única ou universal da chamada “pessoa favorita”.

Apego e segurança relacional

Estudos sobre apego identificaram associação entre TPB e padrões inseguros de vínculo, especialmente aqueles marcados simultaneamente pelo desejo de proximidade e pelo medo de rejeição ou abandono.

Isso pode produzir um dilema:

  • “Preciso muito que você esteja perto, mas tenho medo de confiar.”
  • “Quero intimidade, mas qualquer sinal de distância parece perigoso.”
  • “Tenho medo de que você vá embora, então posso me afastar primeiro.”

A revisão de Agrawal e colaboradores encontrou predominância de padrões inseguros de apego entre pacientes com TPB. Contudo, apego inseguro não é exclusivo do transtorno e não explica sozinho sua origem ou seu funcionamento.

Portanto, é cientificamente mais adequado afirmar que alterações no apego podem contribuir para determinadas experiências relacionais do que declarar que toda “pessoa favorita” seja necessariamente uma figura de apego.

Instabilidade da identidade

O TPB pode envolver dificuldades na manutenção de uma percepção relativamente estável de identidade, valores, objetivos e valor pessoal.

Em algumas relações, a aprovação do outro pode tornar-se fonte principal de autoestima. A pessoa pode modificar gostos, opiniões, projetos ou limites para preservar a conexão. O afastamento pode produzir não apenas solidão, mas sensação de vazio, desorganização ou perda de si.

Esse processo pode ajudar a compreender por que determinadas relações parecem definir o estado emocional e a própria identidade. Ainda assim, a literatura não permite afirmar que instabilidade da identidade esteja presente em todas as pessoas que utilizam o termo “pessoa favorita”.

Idealização e desvalorização

Algumas relações no TPB podem apresentar alternância entre aproximação e afastamento, confiança e desconfiança, admiração e decepção.

Quando a pessoa se sente acolhida, o outro pode ser percebido como excepcionalmente seguro, compreensivo e indispensável. Diante de uma frustração, essa mesma pessoa pode parecer indiferente, cruel ou completamente diferente.

Essa oscilação não demonstra que o afeto anterior fosse falso. Pode refletir dificuldade temporária de integrar, durante estados emocionais intensos, qualidades e falhas do outro em uma representação mais complexa.

A idealização também pode estabelecer expectativas impossíveis: disponibilidade constante, ausência de erros e garantia permanente de que o vínculo nunca mudará. Nenhuma relação humana consegue sustentar esse papel indefinidamente.

Não é correto reduzir o fenômeno à manipulação

O estigma associado ao TPB frequentemente transforma comportamentos complexos em julgamentos morais. A pessoa passa a ser descrita como manipuladora, dramática ou incapaz de estabelecer vínculos verdadeiros.

Essa interpretação é inadequada.

Alguns comportamentos podem realmente produzir pressão, culpa ou controle sobre o outro. Reconhecer isso é necessário. Entretanto, afirmar automaticamente que existe manipulação planejada ignora a possibilidade de que essas ações ocorram durante estados de desregulação intensa e tenham como função tentar evitar abandono ou interromper sofrimento.

Uma formulação clínica responsável precisa sustentar duas verdades:

  • a dor emocional e o medo de abandono merecem reconhecimento e validação;
  • comportamentos que ameaçam, controlam, invadem limites ou transferem ao outro toda a responsabilidade pela estabilidade emocional precisam ser modificados.

Validação não significa concordar com toda interpretação nem aceitar qualquer comportamento. Significa reconhecer a experiência emocional para tornar a mudança possível.

Efeitos sobre a outra pessoa

A pessoa colocada nessa posição pode sentir carinho e desejo de ajudar, mas também culpa, exaustão, pressão e medo de estabelecer limites. Pode acreditar que precisa permanecer disponível continuamente para evitar uma crise.

Situações de risco

Nenhuma pessoa deve ser responsabilizada, sozinha, pela estabilidade emocional ou pela sobrevivência de outra. Em situações de risco de suicídio ou autolesão, parceiros, amigos e familiares não devem assumir isoladamente o manejo da crise. É necessário acionar profissionais e serviços de emergência de acordo com a gravidade.

Limites claros não são equivalentes a abandono. Podem proteger o vínculo quando são comunicados com respeito, previsibilidade e coerência. Promessas de disponibilidade ilimitada seguidas de afastamentos abruptos tendem a aumentar a insegurança.

Avaliação clínica

A expressão “pessoa favorita” nunca deve ser utilizada isoladamente para diagnosticar TPB. A avaliação precisa examinar:

  • duração e abrangência dos padrões apresentados;
  • funcionamento da identidade;
  • estabilidade das relações;
  • regulação emocional;
  • impulsividade;
  • autolesão e risco de suicídio;
  • sentimentos de vazio;
  • raiva;
  • sintomas dissociativos ou paranoides associados ao estresse;
  • histórico de trauma e adversidades;
  • transtornos associados;
  • características concretas da relação atual.

Também devem ser considerados diagnósticos diferenciais e condições associadas, como transtornos do humor, transtornos de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, dependência emocional, transtornos relacionados ao uso de substâncias, TDAH e outros transtornos da personalidade.

A avaliação não deve patologizar um vínculo apenas porque ele é intenso. O aspecto central é verificar sofrimento, prejuízo funcional, perda de autonomia, instabilidade e repetição do padrão em diferentes contextos.

Tratamento

A diretriz da Associação Americana de Psiquiatria, publicada em 2024, recomenda que pessoas com TPB recebam psicoterapia estruturada, apoiada pela literatura e dirigida às características centrais do transtorno.

A diretriz não estabelece uma única psicoterapia como padrão-ouro absoluto. Diferentes abordagens estruturadas apresentam evidências, incluindo:

  • Terapia Comportamental Dialética;
  • Terapia Baseada em Mentalização;
  • Psicoterapia Focada na Transferência;
  • Terapia do Esquema;
  • Manejo Psiquiátrico Geral.

A escolha deve considerar necessidades clínicas, disponibilidade, preferências, riscos e condições associadas.

Contribuições da DBT

A Terapia Comportamental Dialética pode ser especialmente útil quando a relação envolve desregulação emocional, comportamentos impulsivos, autolesão ou crises recorrentes.

Seus principais conjuntos de habilidades incluem:

Mindfulness

Observar pensamentos, emoções e impulsos sem tratá-los automaticamente como fatos. “Estou sentindo medo de ser abandonado” é diferente de “estou sendo abandonado”.

Tolerância ao mal-estar

Atravessar momentos de sofrimento sem recorrer imediatamente a mensagens repetidas, ameaças, autolesão, uso de substâncias ou outras respostas impulsivas.

Regulação emocional

Identificar emoções, reduzir vulnerabilidades e escolher respostas mais proporcionais aos acontecimentos.

Efetividade interpessoal

Pedir o que se necessita, estabelecer limites, preservar o autorrespeito e cuidar da relação sem coerção ou apagamento pessoal.

Papel dos medicamentos

Não existe medicamento específico para a dinâmica denominada “pessoa favorita”. A diretriz da APA de 2024 recomenda que, quando utilizados no TPB, os psicofármacos sejam direcionados a sintomas-alvo claramente definidos, tenham duração limitada quando possível e funcionem como complemento — não substituto — da psicoterapia.

Medicamentos podem ser indicados para condições associadas ou sintomas específicos após avaliação médica. Não devem ser apresentados como tratamento principal para medo de abandono, dependência relacional ou instabilidade da identidade.

Objetivos terapêuticos

O tratamento não busca eliminar vínculos importantes nem tornar a pessoa emocionalmente indiferente. O objetivo é ampliar liberdade, estabilidade e capacidade de escolha dentro das relações.

Entre as metas possíveis estão:

  • reconhecer gatilhos de rejeição e abandono;
  • diferenciar acontecimentos de interpretações;
  • ampliar estratégias internas de regulação;
  • diversificar a rede de apoio;
  • preservar valores, projetos e identidade fora da relação;
  • tolerar períodos de distância;
  • comunicar necessidades sem ameaças ou testes;
  • respeitar limites próprios e alheios;
  • reparar conflitos sem transformar uma falha em condenação total;
  • construir um plano de crise;
  • reduzir comportamentos autolesivos e impulsivos;
  • desenvolver uma percepção mais integrada de si e do outro.

Esses padrões não costumam mudar apenas com a decisão de “parar de depender”. Muitas estratégias foram desenvolvidas ao longo do tempo para lidar com dores emocionais profundas. A psicoterapia oferece alternativas mais eficazes sem humilhar a pessoa pelas estratégias que utilizou quando ainda não dispunha de outros recursos.

Considerações finais

“Pessoa favorita” é uma expressão comunitária que descreve experiências relacionais reais para algumas pessoas com TPB. Existe pesquisa científica inicial sobre o tema, mas as evidências permanecem limitadas e não justificam tratá-lo como diagnóstico, sintoma obrigatório ou característica universal.

Os conhecimentos disponíveis sugerem possíveis relações com hipersensibilidade interpessoal, medo de abandono, sensibilidade à rejeição, desregulação emocional, insegurança de apego e instabilidade da identidade. Esses fatores, porém, não devem ser apresentados como causas específicas definitivamente comprovadas.

A relação não é necessariamente falsa, superficial ou manipuladora. O afeto pode ser autêntico. O problema surge quando uma única pessoa passa a sustentar quase toda a identidade, segurança e regulação emocional do indivíduo, produzindo sofrimento e perda de autonomia para ambos.

Com avaliação adequada e psicoterapia estruturada, é possível reduzir crises, desenvolver novas habilidades e construir vínculos mais estáveis. O objetivo não é sentir menos. É conseguir amar sem desaparecer dentro do outro — e vivenciar a distância sem interpretá-la automaticamente como abandono.

Sobre o autor

Jandré Lopes

Psicólogo — CRP 06/215909

Produção de conteúdo sobre transtorno bipolar, transtorno de personalidade borderline, DBT, regulação emocional e psicologia baseada em evidências.

Referências

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Informação também é cuidado.

Se uma relação tem concentrado quase toda a sua segurança emocional, uma avaliação individualizada pode ajudar a construir vínculos mais estáveis.

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